Utopia do tempo certo

Pois só quem perde tempo
É quem acha que não tem mais tempo a perder

5 a seco – Vou mandar pastar

Na mitologia grega, Kairós, era descrito como um belo jovem de agilidades exímias. Possuía duas asas nos ombros e estava sempre correndo. Só era possível pará-lo agarrando-o de modo firme no topete que havia em sua testa.
Kairós representa o momento oportuno para fazer o que precisa ser feito. Se você deixar a oportunidade passar sem agarra-la, será bem difícil persegui-la depois.

O tempo certo pra muitos, habita um futuro longínquo sobre o qual nada se pode fazer, além de lançar olhos esperançosos de que um dia, os passos cheguem mais perto. Quando se projeta a vida no futuro, sem se lembrar, que o futuro depende do presente para acontecer, mesmo que as melhores oportunidades apareçam, talvez a distância entre a mão e o topete seja grande demais para executar a ação de agarra-lo.
Porém, não há forma certa de medir a distância das oportunidades, afinal, elas são esporádicas. Para os gregos, Kairós também remete a algo que não pode ser mensurado, justamente por sua representação do momento certo (oportuno), que ocorre de modo não-linear. Ainda nesse sentido, Kairós não é entendido como tempo cronológico, mas sim como a representação do momento que pode estar inserido neste.
Além da ideia de Kairós existe Cronos, que ao contrário do primeiro, tem caráter linear e remete aos dias, horas e minutos.
Idealizar o tempo, seja ele qual for, constitui a longo prazo em um erro silencioso e devastador: “Um dia serei… amanhã eu faço… no próximo ano começo… Queria muito, mas vou deixar para o próximo mês”. Num primeiro momento, sem conhecer a história por trás de cada fragmento, pode-se observar o potencial de ação sendo empurrado sempre para o limite do amanhã, para não precisar lidar com o agora. Existindo apenas, nas fronteiras do imaginário.
Dentro de tudo aquilo que possuímos e valorizamos, acredito – particularmente – que o tempo seja o nosso maior bem. Também é aquilo que gastamos e não podemos comprar de volta. Algo que sempre parece estar se esvaindo, ao mesmo passo que pode ser eterno.

O tempo certo?

Existe momento certo para fazer algo? Popularmente se diz muito sobre a tríade: tempo, lugar e pessoa. Se as três variáveis certas não ocorrerem em conjunto, então é melhor nem “perder” tempo. Mas o problema é que justamente com o foco na idealização do certo, muitas combinações passam e são perdidas. Pois a visão estava distorcida, ou então, podemos admitir que aquelas combinações simplesmente não eram certas para o momento em questão.
Na dúvida, agarre a oportunidade que tem em vista, antes que ela corra e torne-se difícil visualiza-la outra vez. Tire os projetos da gaveta e vivifique o agora, o momento certo é agora, pois o passado não retorna e o futuro está longe, a ação mora no presente. Use as palavras bonitas que guarda no fundo da alma, como quem guarda uma roupa nova no guarda-roupas, esperando uma ocasião especial para usa-las, aquela famosa ocasião que nunca chega. Então, se quer dizer, diga. Se quer fazer, faça. Seja você. Seja natural. Reproduzi um dos melhores conselhos que já recebi na vida e espero que tenha tanta valia para você, como teve para mim.
Quando se planta uma semente ela pode ou não germinar, dando posteriormente frutos ou flores. Mas, se jamais plantar a semente, tudo que terá será o potencial aprisionado dentro dela, no eterno vir-a-ser ansiando pela utopia do tempo certo.

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