Terra

O planeta que visitaríamos hoje fazia parte de um conjunto de planetas conhecido como sistema solar. O terceiro deles era o nosso destino, Terra. Já havíamos assistido todo o treinamento e sabíamos de toda a história da humanidade desde o inicio da formação daquele sistema, até o fim e era uma história realmente admirável.
A nave descia nos destroços do que outrora parecia ter sido habitado. Sim, havia sido habitado, um dia, num passado longínquo. Hoje só existe entulho e lixo tóxico. Tudo esta morto, e se não morreu lhe garanto que não é humano.
O que torna um ser humano? Quando questionei disseram-me que a humanidade é a responsável, além de ser considerada o conjunto de características pertinentes à natureza humana, também é associada a bons sentimentos como: benevolência, compaixão, piedade, etc.
Considerando as afirmações acima, eram catalogados por um grande sistema, mais de sete bilhões de seres da espécie humana no planeta Terra. Essa por sinal era a espécie dominante – mas não era a única. E esses dados foram contabilizados antes do fim. Hoje não existe nenhum exemplar dessa espécie nesse local, nem de nenhuma outra.
O problema é que os humanos não eram os únicos seres a habitar o planeta, mas aparentemente eram os únicos que acreditavam que a Terra era só deles.
Depois de pousar em segurança fazíamos coletas no solo arenoso, enquanto comentários cogitavam de maneira lúdica o que levaria uma espécie a destruir o próprio lar. Isso era algo que não entendiamos. Mas o nome do planeta era completamente compreensível, só havia terra, quilômetros e quilômetros, sem vegetação ou traço de qualquer outra paisagem, apenas concreto e solo firme. Planeta Terra. No relatório que recebemos constava que antigamente costumavam chama-lo de Planeta Água, hoje parece quase loucura. O relatório  também dizia que muito antes do fim do planeta, os humanos não eram mais humanos. A humanidade havia morrido antes dos próprios homens.
O ego matou aos poucos a humanidade… a ganância, a sede de poder, isso os destruiu. O que os mesmos não sabiam, ou pareciam ignorar, é que não eram os únicos no Universo. Mas nunca foram longe demais para descobrir, apesar dos esforços.
Tentaram se lançar as estrelas numa tentativa desesperada para sobreviver e talvez estejam vagando pelo espaço, com suas naves. Talvez não. Nosso único objetivo é fazer com que eles não se espalhem pelo Cosmos e destruam outras vidas como fizeram com as próprias. No fundo não acreditamos que eles possam chegar tão longe, mas a resiliência que essa espécie possui é notória.
Fim das analises. Além das comprovações laboratoriais – que seriam passadas posteriormente – os olhos constataram que, embora o fim tenha sido iminente, eles não acabaram. Talvez nunca tenham fim, seus antigos preceitos diziam que a morte de um homem é uma passagem para outro plano, e que eles nunca morrem se forem lembrados. Pena que não existiam notas para a morte da humanidade, acredito que não contavam com essa. Nós também não contávamos.
Visitamos a Terra cinquenta anos antes – do fim – não nos perdoamos por demorarmos a voltar.
Talvez a essa altura você se pergunte quem sou e por que narro tal história. Devo lhe adiantar que quem sou não é importante, pois sou parte de algo muito maior e minha individualidade é diminuta. Minha espécie é luz, e se digo isso hoje é para advertir que caso encontre um humano, o ajude a manter sua humanidade, é o único jeito de preservar sua existência. Do contrário vamos encontra-lo, e ele já não será necessário, pois sera só mais um casco vazio.
Dessa vez vamos embora sem prazos estabelecidos para volta, mas nunca mais ficaremos ausentes, pois um descuido pode ser o final.
Esse é um último pedido para que a benevolência não morra e que a humanidade baste como exemplo de que não pode se viver sem amor.

 

Fonte da imagem: shutterstock

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