Éons

Os traços outrora tão conhecidos
Fragmentaram-se absorvidos pela vastidão da existência
Até em essência aos poucos são esquecidos
Varridos da memória com veemência

Não existe inocência, ou sorriso por trás do véu cheio de furos
No retrato impuro o corpo se liquefez,
Afogado em embriaguez, liquida fica a mente que tateia no escuro
Em vão, procuro as memórias que se distorceram, pelos anos sem sensatez

Vês, não existe presença diante do vazio que habita o peito
Aceito, pois existe você em cada partícula
Na mais fina película, restará você, quando tudo diminuir-se a justiça do leito
Sem efeito, você também se desfará diante do infinito… Então, desde já, calcula

Articula quando lhe pergunto, onde estaremos quando tudo acabar?
Se findar, existirá algo além do tempo?
No vento, os éons responderão para ti

O pálido ponto azul

Carl Sagan

A essa distância, a Terra pode não parecer muito interessante. Mas para nós é diferente. Considere novamente esse ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós. Nele estão todos aqueles que você ama, todos aqueles que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todos os seres humanos que já existiram, todos que já viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, todos os heróis e covardes, cada criador e destruidor de civilizações, cada rei e plebeu, cada jovem casal apaixonado, cada mãe e cada pai, cada criança esperançosa, cada inventor e cada explorador, cada professor de moralidade, cada político corrupto, cada “superstar”, cada “líder supremo”, cada santo e cada pecador na história da nossa espécie viveu ali — nesse grão de poeira suspenso num raio de sol. Continue reading “O pálido ponto azul”

Sêneca: A brevidade da vida

Sêneca, foi um filósofo pré-socrático, que apesar de não muito comentado atualmente, teve ideias relevantes para as escolas de pensamento de sua época, sendo um dos representantes do estoicismo. Escreveu diversos livros e dentre eles, A brevidade da Vida, que será utilizado como base neste texto.
Quando Sêneca escreveu-o já estando em exílio político, imprimiu seus pensamentos no papel para que suas ideias fossem registradas. Talvez muitos se identifiquem com esses pensamentos, que mesmo datando de séculos, continua atual.
Podemos afirmar apriori, que não importa quanto tempo uma ideia tenha desde sua criação, mas sua influência, fundamento e objetivo determinam quanto tempo ela irá durar. Afinal, o conhecimento é eterno e quando bem construído pode atravessar os séculos, permanecendo terrivelmente atual.

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Crônica final

Os últimos dias nunca parecem últimos até que acabam. Segunda-feira não foi um dia diferente. Era meu último dia, de fato disso já tinha consciência meses antes, mas não sentia que aquilo era real, até que tudo se apagou.
Nunca queremos reconhecer que o tempo pode esvair-se sem que tenhamos capacidade de interromper esse ciclo. Eu não podia para-lo, só não queria preencher meus últimos momentos pensando no fim. Então não o fiz.
No último dia eu dei risada como nunca havia dado, do que tinha graça e do que não tinha. Festejei as conquistas e realmente vibrei com as realizações. Foi um dia feliz. No último dia não reclamei dos comportamentos alheios, da política e nem mesmo da chuva que fazia. Eu pensei que as gotas eram uma mostra de como o céu se sensibilizava da situação.
No último dia eu vivi.

colarinho branco

Liberta-te do colarinho que sufoca.
Da gola apertada que surrupia palavras,
Desata os botões e a gravata de lado coloca

Liberta-te da amarra imposta
que limita a alma e prende o corpo,
e que só por ti pode por fim ser deposta.

Liberta-te dos insanos horários
Se olhares bem é sua hora que passa – e o relógio tem pressa.
Mas a vida anda devagar, pois sabe que não existe tempo restitutivo

Liberta-te desses versos afinal.
Pois na realidade já é livre de tudo isso,
só não seja mais um
que prefere ser imparcial.

Dinheiro nenhum compra o tempo que corre resoluto nos relógios. Não te enganes, nenhum de nós é servo dos ponteiros… 

 

Da complexidade da vida

A vida sempre me encanta, por tantos motivos que é até difícil enumera-los. Quando olhamos para outra pessoa, dificilmente lembramos que ela é mais do que aparenta e nem digo sobre sua personalidade… não vemos que ela é um amontoado de células, órgãos, sinapses e sangue. Dificilmente lembramos que nós também somos assim, e que o nosso coração esta constantemente batendo, precisamente cerca de 70 vezes por minuto, para garantir que tudo funcione dentro de nós. O cérebro da os comandos de tudo que ocorre no corpo, principalmente de nossas ações. Tome cuidado com elas.
Nossas ações determinam as consequências, afinal, como diria Newton: Toda ação provoca uma reação de igual ou maior intensidade, mesma direção e em sentido contrário, ou podemos utilizar o popular dito, aqui se faz, aqui se paga, se colhe aquilo que é plantado, etc etc como preferir.
No geral nos prendemos a situações e momentos, enquanto os pequenos detalhes nos escapam. O show da vida acontece com você a todo instante (clichê mas é verdade). Células nascem e morrem. E você continua vivo.
E se olhar pra fora do corpo ainda vai encontrar uma rede ainda maior de complexidade. Temos outras pessoas, objetos, animais, a natureza, tudo… tudo isso possui sua composição e seu impacto na sua vida e na de outros, no ambiente, no tempo, na história. E ainda, se olhar de maneira mais ampla, talvez de um nível estelar vai notar que esse é só mais um planeta no meio de outros milhões e milhões…
Realmente não lembramos desses pequenos detalhes e da complexidade da vida enquanto o tempo corre. Porém, se tiver um tempo reflita. Vale a pena. E enquanto refletir se lembre da imensa quantidade de processos internos e externos que contribuem para que você continue vivendo. Você irá encarar a vida de outra maneira e certamente perceberá que não existe motivo para que não seja grato ou até mesmo para que não sinta nenhuma pontada de alegria, só isso já é o bastante para tornar sua vida cada dia mais encantadora.

Vida e Morte

Desde os primórdios da filosofia, o homem vem questionando diversos assuntos que despertam sua curiosidade e o levam a questionar a essência de sua própria vida. Partindo desse principio, temos em mente que o senso curioso é aquilo que move o ser humano a fazer descobertas e teorias, que são importantes para o desenvolvimento da vida como um todo.
Esta mesma curiosidade, atrelada a estudos e doses de questionamentos, levou certos pensadores a indagarem o que acontece após a morte. Afinal, para muitos a vida pode ser incerta durante seu percurso, mas sobre ela sabemos duas coisas: ela começa, e termina. Continue reading “Vida e Morte”

Faz

Entre risos e laços
Deu-se o ponto
Entre o abraço fez-se o pranto
Entre o ponto e o fim
Fez-se o começo
Do começo fez-se o encanto
Do encanto fez-se amores
Dos amores, algumas dores
Das dores restou solidão
E da solidão faz-se poemas
Dos poemas se criam sentimentos
Com os sentimentos entendemos o mundo
Do mundo entendemos as coisas, das coisas vemos a vida
E da vida, se faz a morte.
E dela, podemos criar um novo começo
ou um novo poema

 

 

Inspirado em Vinicius de Moraes