Utopia do tempo certo

Pois só quem perde tempo
É quem acha que não tem mais tempo a perder

5 a seco – Vou mandar pastar

Na mitologia grega, Kairós, era descrito como um belo jovem de agilidades exímias. Possuía duas asas nos ombros e estava sempre correndo. Só era possível pará-lo agarrando-o de modo firme no topete que havia em sua testa.
Kairós representa o momento oportuno para fazer o que precisa ser feito. Se você deixar a oportunidade passar sem agarra-la, será bem difícil persegui-la depois. Continue reading “Utopia do tempo certo”

Éons

Os traços outrora tão conhecidos
Fragmentaram-se absorvidos pela vastidão da existência
Até em essência aos poucos são esquecidos
Varridos da memória com veemência

Não existe inocência, ou sorriso por trás do véu cheio de furos
No retrato impuro o corpo se liquefez,
Afogado em embriaguez, liquida fica a mente que tateia no escuro
Em vão, procuro as memórias que se distorceram, pelos anos sem sensatez

Vês, não existe presença diante do vazio que habita o peito
Aceito, pois existe você em cada partícula
Na mais fina película, restará você, quando tudo diminuir-se a justiça do leito
Sem efeito, você também se desfará diante do infinito… Então, desde já, calcula

Articula quando lhe pergunto, onde estaremos quando tudo acabar?
Se findar, existirá algo além do tempo?
No vento, os éons responderão para ti

07:30

Queria ter calma,
mas não tenho tempo.
Os pés rápidos deixam
para trás o sol que nasce.

Queria ter calma,
pois os minutos não são iguais
e os detalhes escapam,
transformando o diferente na mesmice
que os olhos cansados veem.

Queria ter calma,
mas a rua é tão grande.
Só não é maior que o mundo
e o mundo também não tem calma.

Queria ter calma,
para ver todas as pernas que passam
todos os sorrisos que levam.
Mas não tenho tempo.

Queria ter calma,
mas a realidade passa como canhão
destruindo tudo,
menos as estações.

Passa por mim uma pessoa com calma,
pois tem tempo de o ser.

Eu não tenho tempo…
Tenho pressa.
tic tac tic tac tic tac tic

colarinho branco

Liberta-te do colarinho que sufoca.
Da gola apertada que surrupia palavras,
Desata os botões e a gravata de lado coloca

Liberta-te da amarra imposta
que limita a alma e prende o corpo,
e que só por ti pode por fim ser deposta.

Liberta-te dos insanos horários
Se olhares bem é sua hora que passa – e o relógio tem pressa.
Mas a vida anda devagar, pois sabe que não existe tempo restitutivo

Liberta-te desses versos afinal.
Pois na realidade já é livre de tudo isso,
só não seja mais um
que prefere ser imparcial.

Dinheiro nenhum compra o tempo que corre resoluto nos relógios. Não te enganes, nenhum de nós é servo dos ponteiros… 

 

Atemporal

O passado numa folha,
de papel ou de outono
Foi-se.
Foice.
Longe está
mas quão longe do presente
o passado pode ficar?
História,
se faz boi dormir não sei
mas prova que o passado
esta presente onde entrei.
No futuro o presente se faz passado,
e o passado dita o futuro.
Nessa eterna confusão temporal.

Agora

Se me perguntar quem sou,
direi que sou o agora.
Não o futuro que esta distante,
nem o passado que já não alcanço.
Eu sou o agora.

Os seres humanos são feitos de tempo,
da soma de todos os tempos,
da subtração de todos os ventos.
Se pelas linhas a vida baila,
é no presente que se encontra a fusão
do tempo e do ser.
Eu sou o agora.

No presente momento eu sou você,
eu, e todos que já viveram.
Mesclo o tudo e nada.
O sempre e o nunca.
Eu sou o agora.

O tempo depende de mim
depende do agora, e eu dependo do que faço com ele.
Ser tempo é ser engenhoso.
A vida se esvai na mão daqueles que não a reconhecem,
se perde nos ventos que te levam pra fora do caminho.
Eu sou o agora,
mas se precisar também posso ser ágora.