Sim e não, muito pelo contrário, o oposto daquilo que dizes, é o que afirmarei com uma negativa que deve ser lida do avesso

Consideremos que o cansaço implica e muito no raciocínio e capacidade de argumentação das pessoas, bem como o “saco cheio”, contribui em larga escala para que a paciência – mantenedora da concórdia e do diálogo respeitoso – se dissipe rapidamente, levando com ela a empatia. Continue reading “Sim e não, muito pelo contrário, o oposto daquilo que dizes, é o que afirmarei com uma negativa que deve ser lida do avesso”

Utopia do tempo certo

Pois só quem perde tempo
É quem acha que não tem mais tempo a perder

5 a seco – Vou mandar pastar

Na mitologia grega, Kairós, era descrito como um belo jovem de agilidades exímias. Possuía duas asas nos ombros e estava sempre correndo. Só era possível pará-lo agarrando-o de modo firme no topete que havia em sua testa.
Kairós representa o momento oportuno para fazer o que precisa ser feito. Se você deixar a oportunidade passar sem agarra-la, será bem difícil persegui-la depois. Continue reading “Utopia do tempo certo”

O pálido ponto azul

Carl Sagan

A essa distância, a Terra pode não parecer muito interessante. Mas para nós é diferente. Considere novamente esse ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós. Nele estão todos aqueles que você ama, todos aqueles que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todos os seres humanos que já existiram, todos que já viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, todos os heróis e covardes, cada criador e destruidor de civilizações, cada rei e plebeu, cada jovem casal apaixonado, cada mãe e cada pai, cada criança esperançosa, cada inventor e cada explorador, cada professor de moralidade, cada político corrupto, cada “superstar”, cada “líder supremo”, cada santo e cada pecador na história da nossa espécie viveu ali — nesse grão de poeira suspenso num raio de sol. Continue reading “O pálido ponto azul”

Pensar

Rubem Alves

Quando eu era menino, na escola as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta: são as idéias que moram na cabeça do pintor. São as idéias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela. Continue reading “Pensar”

Passageiros

Sentei no banco do prédio encarando as luzes que brilhavam nos carros e apartamentos. Lá de cima, tudo parecia pequeno. As pessoas que andavam apressadas eram menores que a ponta de meus dedos, que tentavam mensurar o tamanho fora de escala. Os carros pareciam meros pontos que corriam de um local a outro, inofensivos. A vida parecia ridiculamente simples, observada daquele ponto, como se nada parecesse afetar quem está no alto. Continue reading “Passageiros”

Um lado do prisma

“Mudando-se a mente que observa, muda-se o mundo que é observado (…) A mente é o centro, e existem tantos mundos quantos as mentes que os veem.”

Masaharu Taniguchi , Mistérios da Vida, p.33

Diante do vasto cenário que se ergue frente ao mundo cotidiano, algumas coisas podem ser esquecidas. Na pressa em que se move a cidade, os pensamentos andam ainda mais rápido do que as pernas, podendo involuntariamente tropeçar nas ideias que lhe são familiares. As finitas proporções da Terra abrigam cerca de sete bilhões de seres. Sete bilhões de histórias, crenças e pensamentos; sendo que cada um possui suas peculiaridades e características, de beleza singular. Continue reading “Um lado do prisma”

Sobre o silêncio

Nós os índios, conhecemos o silêncio…
Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio.
E eles nos transmitiram este conhecimento.
Observa, escuta, e logo atua, nos diziam.
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam de seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam.
Observa o homem branco para ver o que querem.
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos.
E então aprenderás.
Quando tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.
Com vocês, brancos, é o contrario.
Vocês aprendem falando.
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões, nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes.
E chamam isso de “resolver um problema”.
Quando estão numa habitação e há silencio, ficam nervosos.
Precisam preencher o espaço com sons.
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir.
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper.
Te escutarei.
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estas dizendo.
Mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrario, simplesmente ficarei calado e me afastarei.
Terás dito o que preciso saber.
Não há mais nada a dizer.
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveriam pensar em vossas palavras como se fossem sementes.
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra esta sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas.
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio…

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Sêneca: A brevidade da vida

Sêneca, foi um filósofo pré-socrático, que apesar de não muito comentado atualmente, teve ideias relevantes para as escolas de pensamento de sua época, sendo um dos representantes do estoicismo. Escreveu diversos livros e dentre eles, A brevidade da Vida, que será utilizado como base neste texto.
Quando Sêneca escreveu-o já estando em exílio político, imprimiu seus pensamentos no papel para que suas ideias fossem registradas. Talvez muitos se identifiquem com esses pensamentos, que mesmo datando de séculos, continua atual.
Podemos afirmar apriori, que não importa quanto tempo uma ideia tenha desde sua criação, mas sua influência, fundamento e objetivo determinam quanto tempo ela irá durar. Afinal, o conhecimento é eterno e quando bem construído pode atravessar os séculos, permanecendo terrivelmente atual.

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Crônica final

Os últimos dias nunca parecem últimos até que acabam. Segunda-feira não foi um dia diferente. Era meu último dia, de fato disso já tinha consciência meses antes, mas não sentia que aquilo era real, até que tudo se apagou.
Nunca queremos reconhecer que o tempo pode esvair-se sem que tenhamos capacidade de interromper esse ciclo. Eu não podia para-lo, só não queria preencher meus últimos momentos pensando no fim. Então não o fiz.
No último dia eu dei risada como nunca havia dado, do que tinha graça e do que não tinha. Festejei as conquistas e realmente vibrei com as realizações. Foi um dia feliz. No último dia não reclamei dos comportamentos alheios, da política e nem mesmo da chuva que fazia. Eu pensei que as gotas eram uma mostra de como o céu se sensibilizava da situação.
No último dia eu vivi.

Pensar a resiliência

Perco a conta de quantos são os momentos em que outras pessoas contribuem para as visões e conceitos que eu nutria em meu âmago. Por vezes o contato com o outro alimenta essas ideias, por vezes as destrói completamente. Mas na maioria dos casos esse contato possibilita a compreensão de um mesmo objeto sobre prismas dos quais jamais lançaria olhar sozinha. São esses os estalos mentais que surgem dizendo que existem facetas das quais nos esquecemos, por ignorância ou desdém.

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As estrelas não são para o homem

“-Só conhecemos a baixa gravidade e uma atmosfera que não conseguimos respirar. Terráqueos podem caminhar do lado de fora em direção à luz respirar ar puro, olhar para um céu azul e ver algo que lhes da esperança… e o que eles fazem? Eles olham adiante daquela luz, adiante daquele céu azul vêem as estrelas e pensam: São minhas.”
The Expanse ep.5
“-É uma ideia terrível, mas precisam encara-la. Pode ser que um dia vocês possuam os planetas. Mas as estrelas não são para o homem (…) Sim, eles não gostariam nada de dar com a cara nos portais celestes fechados. Contudo, precisavam aprender a enfrentar a verdade… Ou tanto da verdade quanto, piedosamente, podia ser lhes dada.”
O fim da infância – Arthur C. Clarke