Matando a Poesia – 8

Um amor feliz. Isso é normal,
isso é sério, isso é útil?
O que o mundo ganha com dois seres
que não veem o mundo?

Enaltecidos um para o outro sem nenhum mérito,
os primeiros quaisquer de milhões, mas convencidos
que assim devia ser – como prêmio de quê? De nada;
a luz cai de lugar nenhum –
por que justo nesses e não noutros?
Isso ofende a justiça? Sim.
Isso infringe os princípios cuidadosamente acumulados?
Derruba do cume a moral? Infringe e derruba, sim.

Observem estes felizardos:
se ao menos disfarçassem um pouco,
fingissem depressão, confortando assim os amigos!
Escutem como riem – é um insulto.
Em que língua falam – só entendi na aparência.
E esses seus rituais, cerimônias,
elaborados deveres recíprocos –
parece um complô contra a humanidade!

É difícil até imaginar onde se iria parar,
se seu exemplo fosse imitado.
Com que poderiam contar a religião, a poesia,
o que seria lembrado, o que, abandonado,
quem quereria ficar dentro do círculo?

Um amor feliz. Isso é necessário?
O tato e a razão nos mandam silenciar sobre ele
como sobre um escândalo das altas esferas da Vida.
Crianças perfeitas nascem sem sua ajuda.
Nunca conseguiria povoar a terra,
pois raramente acontece.

Os que não conhecem o amor feliz que afirmem
não existir em lugar nenhum um amor feliz.

Com essa crença lhes será mais fácil viver e morrer.

Wisława Szymborska

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M45

.otnela ed otelper rahlo o odnanrot
,radnirb mev sotnemele sod amos a
otnemamrif oa oiem mE

ralertse odaremolga o euges otnesI
.otnemgarf odot moc ranroda uo
,racsufo edop acimsóc arieop a meN

.alenitnes rahlo o etnA
etnapmor mun atnopsed alet aN
,alenaj alep zuler euq etnatsiD
etnatsni omsem oN

.lina luza on assemorp amU
,asserpxe litneg zul A
.lim saicnatsid ertne ,asserp meS
assevarta ohlirb ueS 

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Oz

Não se sabe de onde vem o vento

E para onde o vento vai.
Nem se existe há quanto tempo,
Ou quando se esvai.

Se lhe toca a face a ameno,
Agradeça com fervor.
Se lhe empurra forte as vestes,
Mantenha em si o mesmo amor.

O sopro que visita
torna a avisar,
Mesmo que não insista
virá de longe soprar.

não mais que um querer

queria a boemia de vinicius
a maestria de drummond
os encantos dionisíacos de jim
eu queria pouco
um pouco da formosura de lígia
da força de clarice
queria o descaramento de bukowski
o não importismo de malu
e mais um tanto da malandragem de rita
queria as tramas de pedro e zé
e a voz de renato
as malícias de cam
e a imaginação de verne
os dedos rápidos de amadeus
queria ser mais como carl
ter a simpatia de vivi
queria ser summer, sou tom(to)
fazer piada dos problemas como joão
queria a leveza de ana
se pudesse escolher uma só coisa, queria não me apegar
ir embora sem olhar pra trás como você
queria mesmo é ser metade
mas sou inteiro
queria ser só
apenas queria ser
adivinha?
sou
não direi o que

p.s: você queria que eu colocasse as pontuações, mas isso não passa de um querer