Éons

Os traços outrora tão conhecidos
Fragmentaram-se absorvidos pela vastidão da existência
Até em essência aos poucos são esquecidos
Varridos da memória com veemência

Não existe inocência, ou sorriso por trás do véu cheio de furos
No retrato impuro o corpo se liquefez,
Afogado em embriaguez, liquida fica a mente que tateia no escuro
Em vão, procuro as memórias que se distorceram, pelos anos sem sensatez

Vês, não existe presença diante do vazio que habita o peito
Aceito, pois existe você em cada partícula
Na mais fina película, restará você, quando tudo diminuir-se a justiça do leito
Sem efeito, você também se desfará diante do infinito… Então, desde já, calcula

Articula quando lhe pergunto, onde estaremos quando tudo acabar?
Se findar, existirá algo além do tempo?
No vento, os éons responderão para ti