A adivinha

-Fique com a mão estendida dessa forma – ela indicava estreitando a vista – preciso ver bem sua palma.
Mantive a mão na posição sugerida enquanto os grandes olhos azuis me encaravam atentos.
-Está vendo algo? – disse depois de alguns minutos em silêncio.
Sua expressão era desorientada. Ela balançava a cabeça levemente numa negativa, os brincos chacoalhavam em suas orelhas.
-Deveria funcionar – dizia incrédula enquanto revirava a palma que se estendia sobre a sua. Continue reading “A adivinha”

Vazio

Refletir no vazio é o mesmo que contemplar um espaço
em branco
E se nos prantos encontrares a resposta, segue então com a aposta
sabendo que perderá
Pois tú sabes que um velho amigo não mentiria pra tomar partido
mesmo que o destino viesse lhe tentar
Enquanto procurares nas profundezas do seu ser
Nem mesmo tu conseguirias entender a tamanha confusão
que por ti foi causada
Não tentes consertar os erros que ficaram no passado
sendo que pela memória já foram enterrados
Apenas viverão por aqueles que já não sabem onde estão
e ficam perdidos no caos entre o que foram e são
sem saber qual o próximo passo
Mas veja, que tudo pode ter um conserto
Então tentes realizar ao menos um acerto
e assim se reconciliar com o destino