Matando a Poesia – 7

Manoel de Barros

Manoel de Barros, poeta brasileiro, laureado com tantos prêmios ao longo de sua vida, nos brinda com essa poesia e deixa um convite para refletir. Retrato do artista quando coisa, levou-me por uma longa fila de reflexões e foi escolhido para que pensássemos juntos sobre algumas questões.
Logo nos primeiros versos já é possível se deparar com uma grande questão, a incompletude do homem.
Somos inteiros, ao menos nisso eu acredito. Mesmo assim, podemos ser tidos como seres incompletos. Digo no sentido de que muito temos a conhecer e agregar a nós mesmos, a incompletude é de fato uma de nossas maiores riquezas, pois se já fossemos completos em todos sentidos, qual seria então o motivo da vida? Para que continuar quando de tudo já se sabe? Nesse ponto agradeço minha ignorância, por permitir-me conhecer e desfrutar da prazerosa – na maior parte das vezes – sensação de descoberta, que se propicia em cada dia despertado. Não estamos terminados, ser incompleto permite que possamos nos aprimorar cada vez mais e quem sabe, seguindo esse raciocínio, completar-se por inteiro não signifique a morte.
Parei no verso que se segue por um tempo e a ele escrevi um longo parágrafo, que deletei logo depois. Deixo que você mesmo pense sobre essas palavras:

“Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.”

Voltemos a poesia.
Ontem estava assistindo uma palestra com tema voltado para prosperidade e em dado momento foi comentado que o sucesso não é formado apenas por A+B e sim A+B+C, ou seja, não se deve fazer apenas o suficiente para alcançar determinado objetivo, deve-se procurar fazer cada vez mais. Ouvi de alguém nos bastidores: “trabalhar com o suficiente demonstra insuficiência”. Reconheci essa ideia assim que bati os olhos nos versos: “Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas/ que puxa válvulas, que olha o relógio,/ que compra pão às 6 horas da tarde(…)”  precisamos fazer mais além do óbvio, além do suficiente, para não ser apenas aquela pessoa limitada a uma função a qual a vida gira ao redor, sem a concepção de ser mecânico que fica refém das ideias expressas no verso. 
Portanto, perdoai. Por vezes eu também preciso ser Outros, renovar.        
Não sei o que você entende por renovar o homem usando borboletas, mas espero que sua mente lhe proporcione um par de asas para descobrir.

 Até o próximo texto

Fonte da imagem: Dreamstime

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