Jim

Nem sempre as palavras serão claras.
A silhueta se move no escuro,
rápida, fugaz.
Espreita lentamente esperando
quem observa.
Sussurra palavras inaudíveis
indecifráveis, compreensíveis apenas para antigas almas.
Aquelas que nunca morrem,
passam para o outro lado.
breaking out through
Elas esperam quem as decifrem
E salve o mundo de seu fim fatídico,
Sem antes morrer em si mesmo;
Tarefa árdua para almas tão jovens.
O espírito é mais velho que o corpo,
A sombra sussurra:
A vida é mais longa que o sopro,
Mais curta que um lampejo,
Encantadoramente misteriosa.
As sombras perseguem quem anda na penumbra.
Mas somos filhos da luz
Tentando ao seu modo,
Clarear o universo.
Pois não adianta bradar contra as faces
estranhas
Só nos resta a música
E quando as luzes apagam,
podemos estar diante de uma plateia vazia,
Sem aplausos a cortina se fecha e vamos embora.
Desconhecidos no conhecido mundo cotidiano,
As palavras são pássaros libertos
Da infindável prisão que criamos.
Tentamos tortamente consertar erros,
talvez cometamos erros maiores.
Mas tentamos com toda força,
Até que ela se esgote e as palavras fiquem rasas.
Tentaremos até que a única chama acesa,
Seja aquela que brilha no peito.

Crédito da imagem: Joel Brodsky, editada.

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