Epifania

O trem já estava na plataforma quando eu ainda estava descendo as escadas, corri para o ultimo vagão e consegui um cantinho perto da porta. Faltavam algumas estações pra chegar em casa, então me permiti respirar em paz por alguns instantes.Um casal estava ao meu lado debatendo em uma língua que eu tentava identificar.
Alemão. Talvez fosse alemão. Mas não tenho certeza, não falo alemão. Podia ser russo, mas definitivamente parecia alemão. Mas talvez não fosse. Inglês não era, disso eu tinha certeza.
Quatro estações depois decidi aceitar o possível alemão e fiquei rindo de mim por tentar descobrir a tal língua. Que falta me faz um livro no trajeto até em casa.
Finalmente chegamos no terminal, o casal apaixonado desceu de mãos dadas e atrás de mim, um rapaz e uma senhora comentavam:
“-Você viu que língua estranha eles estavam falando?
-Sim – ele respondeu – parecia alemão.
-Não era francês – disse ela pensativa– pode ser alemão mesmo.
-Talvez seja, porque inglês não era –conclui o rapaz.”
Passei rindo por eles, e a conversa foi sumindo conforme avançava a passos largos. Fiquei aliviada em saber que não era a única tentando adivinhar o dialeto estranho no metrô.
Percebi depois de algum tempo, que não fazia ideia do significado de nenhuma palavra que tinha escutado daqueles dois. Acho que deve ser assim que os bebês se sentem com várias pessoas balbuciando ao seu redor,tentando entender do que aquelas pessoas falam e dão risada. Só pude concluir que somos letrados para algumas coisas, mas sempre seremos analfabetos em outras.

3 thoughts on “Epifania

  1. Sempre seremos analfabetos para tantas coisas… Mas isso que empolga o estudo né?! Entender como e porquê as coisas funcionam e são como são, seja um idioma, seja o formato arrendondado achatado nos pólos da terra

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