Chumbo

A cortina de fumaça se estendia
em meio a praça.
A cinza dos prédios embebia
o pôr do sol em massa.

De concreto e ossos reerguiam-se os mortos
em anúncios e painéis,
exaltavam-se reflexos tortos.
Frutos de criações cruéis.

Marcado nos corpos e mentes,
as ideias
pouco contentes,
agora já eram aceitas.

Aos poucos o cinza imposto tomava espaço.
Combinando com as sujas lentes de contato,
que só enxergavam fiasco.
Nos corações de chumbo ocorrem os mais duros assassinatos.

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