Infância

Quando olhei nos olhos daquelas crianças me perguntei se elas imaginavam o que as aguardariam no futuro. Um emprego, família, talvez casamento e filhos, não direi sobre o cansaço – dispenso as dores da maturidade. Mas enquanto elas sorriam e corriam livres pela rua, sinceramente não esperava que fossem seres oniscientes, apenas que soubessem pelo reflexo dos adultos o mundo que as aguardavam.
Uma menina sorriu, e eu percebi que isso pouco importava a eles; Sim, eles que estavam certos. Reconheço que o futuro depende de hoje para existir, mas hoje não depende de amanhã – esquecemos disso com frequência-  e por isso eles vivem como se fosse o último dia, e a única preocupação é aproveita-lo. Talvez a infância seja a fase de maior liberdade de nossas vidas.
Muitas vezes pensamos tanto que quando terminamos de decifrar nossos dilemas o momento da ação já passou. Se não tiver discernimento, a razão não será sua amiga, mas sua trava. Ainda tento entender qual dos dois papéis ela desempenha em minha vida.