Matando a Poesia – 7

Manoel de Barros

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Chumbo

A cortina de fumaça se estendia
em meio a praça.
A cinza dos prédios embebia
o pôr do sol em massa.

De concreto e ossos reerguiam-se os mortos
em anúncios e painéis,
exaltavam-se reflexos tortos.
Frutos de criações cruéis.

Marcado nos corpos e mentes,
as ideias
pouco contentes,
agora já eram aceitas.

Aos poucos o cinza imposto tomava espaço.
Combinando com as sujas lentes de contato,
que só enxergavam fiasco.
Nos corações de chumbo ocorrem os mais duros assassinatos.

Links uteis

Encontrar informações nunca foi tão fácil. Temos em nossas mãos acesso aos mais diversos conhecimentos através de uma ferramenta conhecida por todos: a internet. Saber utiliza-la pode ser o real problema, afinal, uma arma além de te ajudar a ganhar a batalha também pode lhe ferir; é preciso saber utilizar e recarregar a arma do conhecimento.
Contamos com diversos portais para acessar informações que podem contribuir não apenas na parte do entretenimento, mas também construindo conhecimentos, afinal é possível aprender e se divertir sem colocar as coisas em polos opostos. Um dos meios de comunicação mais utilizados para isso é o YouTube que vem ganhando cada vez mais destaque e também os já conhecidos sites, portais que divulgam conhecimentos. Dessa forma separei alguns deles que procuram divulgar o conhecimento cientifico de maneira simples e dinâmica, além de outros links uteis (ou não) que valem o seu acesso.

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Sêneca: A brevidade da vida

Sêneca, foi um filósofo pré-socrático, que apesar de não muito comentado atualmente, teve ideias relevantes para as escolas de pensamento de sua época, sendo um dos representantes do estoicismo. Escreveu diversos livros e dentre eles, A brevidade da Vida, que será utilizado como base neste texto.
Quando Sêneca escreveu-o já estando em exílio político, imprimiu seus pensamentos no papel para que suas ideias fossem registradas. Talvez muitos se identifiquem com esses pensamentos, que mesmo datando de séculos, continua atual.
Podemos afirmar apriori, que não importa quanto tempo uma ideia tenha desde sua criação, mas sua influência, fundamento e objetivo determinam quanto tempo ela irá durar. Afinal, o conhecimento é eterno e quando bem construído pode atravessar os séculos, permanecendo terrivelmente atual.

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Na Floresta

-Ele tem seis anos e está vestindo uma camiseta azul com bermuda vermelha. Foi visto pela última vez perto da floresta, mande patrulhas para averiguar o local. Entendido? Câmbio. 

-Entendido. Notificarei sobre novas atualizações. Câmbio desligo. 

O rádio fez um chiado baixo e tornou a ficar silencioso. A frente do policial um casal desolado guardava fotos dos filhos. Continue reading “Na Floresta”

então queres amar?

releitura. 

se precisa forçar sentimentos e palavras
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que sinta naturalmente
com o coração, com a mente, com o corpo,
se não sentir surgir do fundo de tua alma,
não o faças.
se tens que estar horas pensando
se vale ou não a pena
ou curvado demais
em si mesmo
procurando os sentimentos,
não o faças.

se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres ou homens na tua cama,
não o faças.

se tens que parar e
perdido não sabe como solucionar todas as dúvidas,
não o faças.
se dá desamino só de pensar em encontrar a pessoa,
não o faças.

se tentas amar como outros amaram,
não o faças.

se tens que esperar que o amor saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que se basear primeiro no relacionamento de seus amigos,
ou colegas ou parentes
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos apaixonados,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram amantes,
não sejas ansioso nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
os cartórios de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie (que amam sem amar).
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que estar sozinho
te leve à loucura, mas se levar
ao sentimento de posse ou ilusão,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime o coração,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

Releitura do poema Então queres ser um escritor?  de Charles Bukowski, espero que ele não se revire no túmulo por isso.

Nota: Não alterei diversos versos por expressarem aquilo que queria dizer, e sinto que alguns pontos ficaram vagos, mas queria respeitar a estrutura original, por isso peço desculpas desde já.

Tráfego

Embalado pelo tráfego,
Da lentos e grandes suspiros.
Alheio ao barulho das máquinas,
que mantém a cidade girando.

Embalado pelo tráfego,
Sonha tranquilamente.
Enquanto a realidade escapa dos olhos,
que vê pelas pálpebras um mundo inconsciente.

Embalado pelo tráfego,
O cérebro dorme em sua caixa.
Nutrindo as idéias em que deseja acreditar,
eliminando as idéias que não quer aceitar.

Embalado pelo tráfego,
de idéias, de pessoas, de sentidos,
braços acalentam o corpo desacordado
o gracejo final antes do despertar.

Mas está tudo bem, mesmo que durma,
Sabe que a máquina continuará girando
enquanto alguém estiver de pé.

Matando a Poesia – 6

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro

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