Comando Dédalo 23

As asas de ouro derretem ao sol do meio dia
E despencam no oceano escarlate
Em seu último voo pela liberdade

O mar traga o corpo em lembranças
E o conduz ao profundo estado de inconsciência
Enquanto as penas flutuam na superfície

À deriva nas ondas de sua própria vontade
Sucumbe ante o imenso peso, de seu próprio ser
Petrifica a última fagulha de esperança
Aguardando o código que lhe devolve a vida

A adivinha

-Fique com a mão estendida dessa forma – ela indicava estreitando a vista – preciso ver bem sua palma.
Mantive a mão na posição sugerida enquanto os grandes olhos azuis me encaravam atentos.
-Está vendo algo? – disse depois de alguns minutos em silêncio.
Sua expressão era desorientada. Ela balançava a cabeça levemente numa negativa, os brincos chacoalhavam em suas orelhas.
-Deveria funcionar – dizia incrédula enquanto revirava a palma que se estendia sobre a sua. Continue reading “A adivinha”

Sim e não, muito pelo contrário, o oposto daquilo que dizes, é o que afirmarei com uma negativa que deve ser lida do avesso

Consideremos que o cansaço implica e muito no raciocínio e capacidade de argumentação das pessoas, bem como o “saco cheio”, contribui em larga escala para que a paciência – mantenedora da concórdia e do diálogo respeitoso – se dissipe rapidamente, levando com ela a empatia. Continue reading “Sim e não, muito pelo contrário, o oposto daquilo que dizes, é o que afirmarei com uma negativa que deve ser lida do avesso”

Retrato urbano

As ondas flutuam no céu e a brisa amansa a pele
Um mar de memórias é derramado aos pés com o vento
O canto dos pássaros ecoa ao fundo
Enquanto a água escoa memórias de nuvens furadas por um arranha-céu

O rio do lembrar jamais é o mesmo
Nuances de cinza e azul-infinito disputam o espaço
Sobre as cabeças cansadas, pincelam o dia
E no chão a tinta é espalhada por passos, que esmagam o passado
[para ganhar lugar no futuro Continue reading “Retrato urbano”

Repensando a educação – O fracasso escolar (2/2)

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Rubem Alves

Continuação da primeira parte da entrevista, caso não tenha lido, clique aqui.

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Repensando a educação – O fracasso escolar (1/2)

É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.

Immanuel Kant

A problemática da educação se reflete nos crescentes dados alarmantes divulgados em nosso país: A medicalização, o analfabetismo e a evasão escolar, são parte do caótico cenário de um dos pilares que deveriam ser mais sólidos em nossa sociedade. Pensar na educação por meio da ótica da psicologia escolar, leva a uma reflexão que pode e deve incutir sobre a atualidade a partir de diferentes pontos referenciais, sem perder a ideia da educação em sua essência e os processos aos quais a envolvem em meio a toda complexidade em que pode ser compreendida.

Entrevista cedida e autorizada pela Profa.Dra. em Psicologia Escolar Ana Karina Checchia, também conhecida como melhor pessoa.

*Se você ainda não conhece o Projeto Olhares, clique aqui*

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O fantástico caso da mágica meia azul

Minha mãe sempre me disse pra não ficar andando pela casa descalço. Mas o chão gelado sob meus pés sempre passou uma sensação tão boa… Além do mais, tinha escutado no jornal que as crianças precisam criar anticorpos, e pra isso, elas podem andar descalças. Minha mãe não discutia com o homem da televisão, mas ainda assim, brigava comigo sempre que me via correndo de meia por aí. Estar de meia é igual estar de sapato, não é? O pé fica vestido do mesmo jeito.
De qualquer forma, eu já expliquei pra minha mãe qual é o lance das meias, mas ela não parece acreditar. Eu tenho uma gaveta cheia delas, tá… tudo bem que boa parte está sem um dos pés, mas eu tenho certeza de que a máquina de lavar roupas tá querendo me encrencar. Continue reading “O fantástico caso da mágica meia azul”