A bolha da ignorância

Uma breve análise dos produtos de uma mente fechada.

Reconheço que sou ignorante em diversas áreas. Nem sempre teremos afinidade com todos os temas que nos rodeiam e é por isso que surge o desinteresse. Somos bombardeados por tantas coisas ao mesmo tempo, que se torna humanamente impossível ter ciência de tudo, então, realizamos uma seleção para dar maior atenção ao oque nosso juízo considera interessante, dessa forma o assunto selecionado ganha nossa atenção enquanto sutilmente alguns itens são varridos pra baixo do tapete e escolhemos por fim, os assuntos que gostaríamos de entender mais, não só para expô-los na estante mas para realmente entender seu funcionamento e aplicação.
Não existe mal nenhum nisso, ao menos ao meu ver, parece uma coisa natural. Não conheço ninguém que goste de tudo, ao mesmo passo que não conheço ninguém que odeie tudo, portanto, essa ideia de ter afinidade e buscar conhecer mais, se faz válida. É válido ressaltar também, que a ignorância não é um mal quando reconhecida, apenas se torna um quando mantida. Mas chegaremos nesse pensamento.
Doses leves de ignorância são saudáveis e necessárias para a vida humana:

Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com a sua ignorância.
-Galileu Galilei 

Pense comigo, como seria a vida se nós tivemos consciência de tudo o que acontece mundo afora, se tivéssemos conhecimento de todas as coisas existentes, tanto boas quanto ruins. Eu não sei você, mas eu não conseguiria repousar minha cabeça no travesseiro com tranquilidade. Já é difícil com o pouco que sabemos, que nem me arrisco a pensar profundamente nisso.

Voltemos a ignorância. Alimentar a ignorância em doses elevadas pode ser prejudicial. Quando não ligamos ou julgamos que determinada coisa não é importante, perdemos a chance de conhecer algo novo. Eis aqui o grande problema de ser ignorante nesse sentido. Se fechar para novos conceitos, novas aprendizagens. Em pleno século XXI, fechar a mente é quase um desaforo a toda luta realizada para que o conhecimento chegasse a maior parte das pessoas, não temos a obrigação de conhecer tudo, como já foi dito parágrafos acima, mas temos o dever moral de não se acomodar com aquilo que sabemos, temos a missão de questionar, buscar novos meios e caminhos para chegar em um mesmo ponto, ou em lugares inexplorados. Encontrar nosso próprio caminho nesse meio tempo também é essencial.
Saber que a ignorância existe é o primeiro passo para diminui-la e buscar um maior aprimoramento. Manter a ignorância e continuar alimentando a mesma com grandes doses de preconceitos e desdém não ajuda em nada no desenvolvimento quanto pessoa, pelo contrário, prejudica e faz com que fiquemos inertes no tempo. Sempre que falo em ignorância, gosto de fazer alusão a aqueles cavalos que para prestar atenção no caminho utilizam viseiras, ou tapa-olhos como chamam, e prestam atenção apenas no que se encontra a sua frente. Por vezes agimos exatamente da mesma maneira, ignorando tudo aquilo que se encontra ao nosso redor, focando no que esta a nossa frente. Esse ao meu ver, também pode ser considerado como um ato de ignorância, um dos grandes.
Parando para analisar de maneira profunda, todos nós vivemos em tais bolhas como diz  o título, afinal, nosso conhecimento é limitado e condiz com uma ínfima parte de todo conhecimento que já foi produzido até hoje. A diferença crucial se dá portanto, na espessura das bolhas de cada pessoa. Algumas tentam escapar da mesma e vão polindo quem são, estudando, pesquisando, buscando entender o que ocorre fora de sua alçada de conhecimento, buscando por respostas sem armas nas mãos, mas com as mesmas abertas para receber as possíveis respostas.
Essa é a busca que mantém a produção de conhecimento ativa. Não considero para esse texto conhecimentos mais ou menos relevantes, pois todos tem sua importância e aplicação, como já ressaltado, dessa forma carregam o valor e o direito de serem conhecidos, ou melhor reconhecidos.
O que se pode produzir em uma mente que não adquire novos conhecimentos? Quais são os produtos gerados através do ato de nos fecharmos em conceitos e desclassificar todo o resto? Diante da vastidão de conhecimento que temos hoje, podemos ir bem mais longe do que estamos.

Até o próximo texto.Imagem em destaque: Bolhas de sabão

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