07:30

Queria ter calma,
mas não tenho tempo.
Os pés rápidos deixam
para trás o sol que nasce.

Queria ter calma,
pois os minutos não são iguais
e os detalhes escapam,
transformando o diferente na mesmice
que os olhos cansados veem.

Queria ter calma,
mas a rua é tão grande.
Só não é maior que o mundo
e o mundo também não tem calma.

Queria ter calma,
para ver todas as pernas que passam
todos os sorrisos que levam.
Mas não tenho tempo.

Queria ter calma,
mas a realidade passa como canhão
destruindo tudo,
menos as estações.

Passa por mim uma pessoa com calma,
pois tem tempo de o ser.

Eu não tenho tempo…
Tenho pressa.
tic tac tic tac tic tac tic

7 thoughts on “07:30

  1. Quando terminei seu poema, fiquei extasiado, e não pudei deixar de lembrar de Drummond quando você falou do tamanho do mundo, pensei comigo: será que ela curte Drummond?; depois vi que você tem um espaço pra Drummond e me arrancou um sorriso logo pela manhã.

    A reflexão sobre o tempo é sempre vasta e profunda e sua onomatopeia foi a cereja do bolo desse poema.
    Um abraço e ótima semana.

    1. Eu adoro Drummond e você também me arrancou um sorriso por ter percebidos traços dele aqui. O poema de fato só existe por conta dele, que me fez perder a hora! Quis brincar com o ocorrido, pois entre bondes com pernas brancas pretas amarelas e um mundo grande, um vasto mundo… Vamos vivendo a poesia! Abraços, ótima semana!

  2. Mais uma vez seus poemas me fazem lembrar da minha vida. Eu me vi retratada no seu tictac… passo mais tempo do meu dia longe de casa e das coisas que eu gosto… Houve um tempo (olha só o tempo de novo) em que eu achei que isso valia a pena…que pena… roubaram meu tempo. Acho que vou escrever um poema inspirada no seu poema, se você me permitir =D

    1. Marcia querida, é sempre uma alegria saber que meus versos fazem sentido para alguém, identificação então nem se fala. Sobre o tempo, não vejo como desvencilha-lo das demais coisas. Triste ver que sua frase está no presente, mas sempre é oportunidade de conciliarmos o tempo que temos com as coisas que gostamos, ou então, encararmos nossas responsabilidades de um outro prisma, para se tornarem ao menos agradáveis a nós enquanto se fazem necessárias. Por favor escreva tem toda permissão!! Ficarei feliz em ler. Abraços

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