Na Floresta

-Ele tem seis anos e está vestindo uma camiseta azul com bermuda vermelha. Foi visto pela última vez perto da floresta, mande patrulhas para averiguar o local. Entendido? Câmbio.  -Entendido. Notificarei sobre novas atualizações. Câmbio desligo.  O rádio fez um chiado baixo e tornou a ficar silencioso. A frente do policial um casal desolado guardava…

Tráfego

Embalado pelo tráfego, Da lentos e grandes suspiros. Alheio ao barulho das máquinas, que mantém a cidade girando. Embalado pelo tráfego, Sonha tranquilamente. Enquanto a realidade escapa dos olhos, que vê pelas pálpebras um mundo inconsciente. Embalado pelo tráfego, O cérebro dorme em sua caixa. Nutrindo as idéias em que deseja acreditar, eliminando as idéias…

Naufrágio 

a superfície escura esconde nas águas turvas ruas e cidades submersas histórias e passados de concreto afogados por sódio, hidrogênio e oxigênio abafados por ódio, por mais de um milênio saem a superfície evaporando para liberdade os gritos sufocados emancipados por chuva que não tardam a desaguar no mar sem anunciar enterrando os fantasmas dos…

Matando a Poesia – 6

Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era…

Rutilância

Um anjo torto, daqueles que vivem nas sombras veio em meu auxilio, segurando uma fagulha de luz. Abria caminho entre a treva e a escuridão desfazia-se sem tormentos, numa resplandecente explosão fúnebre. Partículas de tristeza chocavam-se, com o brilho e esplendor da luminosidade reduzindo-se a pó. O anjo torto, ergueu-me do fundo. Quanto já estava…

Crônica final

Os últimos dias nunca parecem últimos até que acabam. Segunda-feira não foi um dia diferente. Era meu último dia, de fato disso já tinha consciência meses antes, mas não sentia que aquilo era real, até que tudo se apagou. Nunca queremos reconhecer que o tempo pode esvair-se sem que tenhamos capacidade de interromper esse ciclo.…

Desata

desliza na superfície nua tua explora o mundo que aflora ante teu olhar em toda superfície crua deixe-se buscar enquanto a mão tateia no escuro em busca do outro corpo nu cru deixe que se completem encaixem vê a beleza que ergue-se retira os panos em excesso liberta-te